Manual de como votar nessas eleições

Porque ainda acreditamos que dá pras coisas melhorarem.

Jhoanne Hansen

7/31/20264 min read

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Sim, vamos falar sobre eleições. Ai que audaciosas elas! Porque hoje estamos olhando para o papel da internet e redes sociais na nossa escolha de candidatos.

Já queremos de antemão avisar que esse não é um texto sobre política partidária e ideológica; não vem ao caso se você gosta do partido XYZ ou XPTO, se prefere a direita, a esquerda, o em cima ou o embaixo, se vota no candidato Azul ou Lilás.

O que interessa aqui é que você aprenda um jeito de fazer uma escolha o mais consciente possível sobre qual numerozinho você vai apertar na urna. Porque, sinto te dizer, você não tem escolhido muita coisa, estão escolhendo no seu lugar (e pouca gente tem se dado conta disso).

Então abaixo segue um passo a passo, o mais enxuto que conseguimos fazer, para que você coloque em prática.

Spoiler: escolher dá trabalho, então reserve algumas horas para se dedicar a isso.

Passo 1: Esteja atento aos conteúdos nas redes sociais que te causam indignação.

A indignação moral é um sentimento muito caro às redes sociais, porque ela aumenta o engajamento. É simples: quando você vê um post que te indigna, imediatamente sente necessidade de interagir com ele, seja compartilhando e/ou comentando. Então, os conteúdos indignantes são mais entregues pelo algoritmo, alimentando esse ciclo de indignação-ação-entrega. O resultado: você vai criando uma imagem do político X ou Z baseada no ódio, raiva e frustração, deixando de lado a lógica e a racionalidade.

Passo 2: identifique os sentimentos e emoções que você sente por candidatos e partidos.

Fazer uma escolha baseado no conteúdo emocional pode fazer com que você deixe aspectos importantes (e lógicos) fora da ponderação. As emoções vão sempre existir, mas elas não devem definir nossas escolhas políticas. Coloque-as numa gavetinha e olhe os fatos.

Passo 3: Defina dois ou três temas que você considera muito importantes.

Nenhum político vai conseguir lutar por todas as causas em todos os momentos, então é importante você escolher um candidato que esteja na linha de frente daquilo que, para você, é primordial. Para facilitar, deixo aqui algumas sugestões de temas mais amplos:

Direito das crianças

Saúde

Educação

Igualdade de gênero

Meio ambiente e sustentabilidade

Segurança pública

Desenvolvimento econômico

Igualdade racial

Agropecuária

Direito LGBTQIA+

Cultura

Aposentadoria

Pesquisa, ciência e tecnologia

Agora começa a parte boa — e trabalhosa.

Passo 4: Pesquise os temas escolhidos para ver o que tem rolado nos últimos anos dentro do mundo legislativo.

Também verifique como os políticos votaram nos temas que lhe são caros.

Onde pesquisar? Nos portais da Câmara, do Senado e do Simplificou, que centraliza a tramitação legislativa de um jeito mais palatável (porque juridiquês é chato demais, concordo).

IMPORTANTE: pesquise em canais apropriados! Se informar apenas nas redes sociais ou grupos de WhatsApp tem um potencial alienador absurdo, pois tendemos a olhar (e acreditar) naquilo que confirma nossa opinião prévia. Isso é chamado de viés de confirmação — abraçamos o que se alinha àquilo que acreditamos e rejeitamos o que diverge de nós. Mas… e se estivermos errados? E se minhas escolhas político-partidárias estiverem me causando mais mal do que bem? Seria bom saber disso, não?

[Os passos 5 e 6 só serão seguidos se seu candidato já tiver uma carreira legislativa e política. Se não, pule para o Passo 7]

Passo 5: Se você já tiver seus candidatos escolhidos, é hora de investigar mais a fundo.

Nos mesmos mecanismos de busca da Câmara e do Senado, faça o levantamento de todas as propostas feitas pelo seu candidato. A partir disso, analise quantas propostas contemplam os temas importantes para você. Só aí já dá para ter uma noção se os seus candidatos são adequados ou não. Mas sigamos na receita de bolo!

Passo 6: Estabeleça uma pontuação para as ações do seu candidato.

Por exemplo, 10 para projetos que alteram a legislação em alguma medida, causando uma mudança significativa, e 1 para homenagens. Vamos combinar que, se o seu candidato passou quatro anos usando o plenário da Câmara só para homenagear os amiguinhos, ele não merece seu voto, né?

Passo 7: Investigue notícias gerais sobre seus candidatos.

E aqui temos que tomar muuuuuuuito cuidado, porque a internet está cheíssima de fake news, ainda mais com o advento da inteligência artificial. Então é importante utilizar sites de fact-checking, como Agência Lupa, Aos Fatos, Projeto Comprova. Pesquise em pelo menos dois deles e cruze as informações, para ter mais segurança daquilo que está lendo.

IMPORTANTE: evite se informar apenas nos canais que você está acostumado a consumir, porque eles podem estar alimentando seu viés de confirmação. Não vamos ser hipócritas, não há uma mídia totalmente neutra, todos os canais de notícias têm um viés ideológico, seja porque optam por isso, seja porque são financiados por terceiros. Para contornar isso, tenho duas dicas: checar dados/narrativas e consumir notícia do “lado oposto”, para ter com o que comparar.

Passo 8: Converse. Converse muito. Converse com muitas pessoas.

Converse sobretudo com quem pensa diferente de você.

Deixe o celular de lado e converse olho no olho.

Se abra para escutar aquilo que você não concorda, aquilo que você acha errado, aquilo que te causa desconforto.

Considere estar errado em uma conversa.

Entender de política é difícil, exige muito tempo e dedicação, e nós não temos nenhum dos dois sobrando. Então se desprenda das suas certezas e olhe para esse processo de decisão com os olhos de uma criança, que está aprendendo algo novo e inédito.

Nós aqui da Desvirtua acreditamos que a psicoeducação digital é o melhor caminho para que a gente se torne mais lúcido diante do tsunami de informações (na maioria falsas) que são as redes sociais. E desejamos que você esteja consciente quando apertar os botõezinhos na urna, seja no candidato Zézinho, Luizinho ou Huguinho.

No mais, espero que essa fase de campanha eleitoral não interfira nas suas relações, nem na sua paz, muito menos na sua sanidade mental.

Nos vemos na próxima sessão. Ops, texto do blog.

Bjo bjo,

Jho e Ju.

OBS1. Tentamos simplificar o máximo possível, portanto muita coisa importante ficou de fora nesse texto.

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