FOMO vs. JOMO
o buraco sem fundo do feed (e das nossas vidas?)
Jho Hansen e Ju Nasasi
5/13/20264 min read
Você já sentiu um frio na barriga ao ver seus amigos postando foto na praia sem você? Já teve angústia ao ter que decidir entre assistir uma série que ama, jantar com alguém especial ou comparecer a um aniversário da família? Você tem uma lista de vídeos interessantes no Youtube que nunca consegue revisitar? Faz comida ou toma banho ouvindo aquele seu podcast favorito, pois acha que a internet tem tanta coisa interessante pra consumir, que precisa otimizar seu tempo pra dar conta de acompanhar tudo?
Bem-vinda(o) ao clube. Há grandes chances de você sofrer com a tal da FOMO: Fear Of Missing Out, traduzida livremente como o medo de ficar de fora, ou estar perdendo algo.
Para o consumidor de redes sociais, FOMO é aquela coceira mental que faz você rolar o feed mesmo cansado. Para o criador de conteúdo é, além disso, um desespero em forma de vozinha irritante que diz: “Se eu não postar hoje, o algoritmo me boicota. Se eu não mostrar os bastidores, vão me esquecer.”
Mas o que acontece quando a produção vira prisão? E o consumo, ansiedade?
Estudos, como o Cyberball Experiment, demonstram que as áreas do cérebro ativadas durante a exclusão social são semelhantes às ativadas durante a experiência de dor física. A exemplo do nosso Córtex Cingulado Anterior (CCA), região associada ao processamento emocional e à regulação da dor social, que tem atividade aumentada quando uma pessoa se sente excluída.
Ou seja, seu cérebro pode enviar sinais de dor real ao sentir algum tipo de exclusão. Isso influencia radicalmente na maneira como consumimos conteúdo, tanto para seguir checando o que seus amigos fazem sem você, ou o que aquele influencer que você adora está conhecendo na sua viagem dos sonhos, ou até mesmo assistir às notícias sobre um tema que anda obcecado, pra não ficar de fora do que tão dizendo a respeito. 👀
Enquanto na frente das câmeras, criadores de conteúdo, mesmo exaustos em seguir produzindo com alta frequência, não o fazem pelo medo de perder audiência e relevância entre seu público e nas plataformas.
O JOMO como ato de rebeldia
Nós na Desvirtua consideramos o JOMO: Joy of Missing Out, traduzido livremente como a alegria de estar de fora, ou perder algo, como um verdadeiro antídoto. Um passo sensato que não está no extremo de negar a tecnologia, mas sim, como um uso deliberado e saudável quando se aprende a reposicionar sua atenção.
Ah, queridas! Muito fácil falar, né? Como começar esse aprendizado na prática?
Vamos falar o que tem funcionado conosco e com nossos grupos terapêuticos. É apenas um pontapé para quem deseja experimentar:
🤳 Para usuários:
Desative notificações não essenciais (o ideal seria desativar todas, mas vamos em doses homeopáticas se achar isso muito radical);
Pratique o scroll consciente. Antes de abrir o app se pergunte: “O que vim buscar aqui?” Se a resposta for “nada”, feche;
Se tem mais dificuldade de controlar o uso das redes sociais crie uma janela de redes, ou seja, defina 15 minutos, duas ou três vezes ao dia, dependendo da sua necessidade, para o uso intencional. Fora disso, use aplicativos para bloquear o uso;
Use e abuse de apps como Focus Mode para se concentrar em picos de energia e Horário de Descanso para garantir um bom sono;
Substitua o hábito: quando sentir vontade de checar o celular sem necessidade, faça 5 respirações profundas ou beba um copo d’água.
👩🏻💻 Para Criadores de Conteúdo (é mais difícil, a gente sabe):
Concentre a criação, análise de métricas e agendamento de conteúdo em blocos diferentes do dia. Para que o tempo que está na plataforma seja intencional, e não uma mistura de “estou buscando referências”, com “estou postando conteúdo” e “estou vendo como as publicações performaram”. A falta de foco consome energia mental e te impulsiona a se distrair (as redes são desenhadas para esse fim, você não é menos focado por passar por isso);
Agende o conteúdo com antecedência e confie na produção estratégica mais do que na espontânea. Isso tira uma pressão imensa das costas e também a chance de gastar mais tempo no aplicativo;
Estabeleça um conteúdo mínimo viável. Ao invés de 5 stories ao vivo por dia, experimente um post bem feito e programado;
Na hora de dormir mute o celular. De preferência durma com ele em outro cômodo. O algoritmo não vai te punir por voltar às 9h, acredite;
Faça um detox de comparação, durante sete dias experimente seguir ou favoritar apenas contas que ensinam, inspiram ou divertem. Silencie, ou bloqueie, qualquer perfil que te faça sentir “menos”.
Usamos o termo experimente pois acreditamos muito que não existem fórmulas eficazes para todos. Depende do seu negócio, nicho, audiência, tempo de carreira, intenções, metas a longo prazo. Mas acreditamos que experimentar é o caminho que te leva a encontrar sua forma ideal de usar as redes, sem que elas te usem.
A escolha é sua
FOMO implica em escassez: “não posso perder nada”.
JOMO implica em suficiência: “já tenho o que preciso.”
Você pode continuar refém do feed, ou pode experimentar, nem que seja por alguns dias, a alegria radical de consumir menos e não aparecer tanto. O mundo não vai acabar. Seu valor não vai diminuir. E o algoritmo? Ele vai estar lá amanhã. Como sempre!
📖 MANUAL ANTIAUTOMÁTICO
Se você se sentiu confortável, sentado na sua cadeira, lendo isso achando que não sofre tanto com esses problemas, então te convidamos a responder no silêncio da sua mente por aí:
Se você passa um final de semana inteiro sem consumir redes sociais, postar absolutamente nada, tampouco ter um entretenimento virtual, como aquela jogadinha num ou outro app. Qual sensação predominaria: alívio ou ansiedade?
Quantas das suas últimas postagens foram feitas porque você queria compartilhar algo genuíno, e quantas foram feitas por medo de “sumir” (seja do radar alheio, ou do algoritmo)?
Se você soubesse que ninguém (absolutamente ninguém) veria o que você posta, você ainda postaria as mesmas coisas? Com a mesma frequência?
Curtiu essa edição? Encaminhe para aquele amigo que vive nos stories. E se quiser nos provocar de volta, responda este e-mail com sua própria pergunta incômoda. Vamos adorar essa interação.
Com carinho,
Jho e Ju - fundadoras da Desvirtua.

